5 de janeiro de 2022

TYRRELL P34


O Tyrrell P34 foi o nono monolugar construído pela equipa de Ken Tyrrell.
Em 1970, a equipa Tyrrell estreou-se no Campeonato do Mundo de F1. O britânico Derek Gardner foi o projetista escolhido para desenhar os carros da Tyrrell Racing e em Agosto de 1974, apresentou a Ken Tyrrell a sua nova ideia: um carro de F1 de seis rodas. Duas rodas do tamanho normal no eixo traseiro e quatro rodas pequenas, de 10 polegadas, na frente.
Gardner procurou contornar o arrasto que os pneus convencionais provocavam, devido à asa frontal dos F1 ser pequena e assim idealizou um conceito de rodas pequenas para o carro ganhar mais velocidade em linha reta e também para a asa traseira receber uma maior quantidade de ar limpo.
Ao início, Ken Tyrrell ficou perplexo, mas depois entendeu a ideia de Derek Gardner e mostrou-se entusiasmado, depois de novas reuniões entre ambos, foi dada luz verde para o carro ser construído. 
O uso de quatro rodas na frente foi um desafio para os engenheiros da Tyrrell, pois tiveram que desenhar um complexo sistema de direção, travagem e suspensão. Já os pneus de 10 polegadas, foram construídos pela Goodyear e em Setembro de 1975 o protótipo estava construído. No dia 22, desse mesmo mês, o Tyrrell P34 foi apresentado numa sala cheia de jornalistas que ficaram surpreendidos ao verem um F1 de seis rodas.
Depois de muitos testes realizados e de serem corrigidos vários problemas , o Tyrrell P34 estreou-se no Campeonato Mundial de F1 de 1976, no Grande Prémio de Espanha, pela mão do piloto francês Patrick Depailler, enquanto que o seu companheiro de equipa, o sul-africano Jody Scheckter, usou o carro antigo. Depailler qualificou-se no 3º lugar, ao contrário de Scheckter que ocupou o 14º lugar na grelha de partida. Na corrida, o carro mostrou todo o seu potencial e Depailler rodou sempre na terceira posição, até desistir na 26ª volta com problemas de travões nas rodas frontais. Na corrida seguinte, na Bélgica, os dois pilotos já tiveram o novo carro à disposição e Scheckter terminou a prova no 4º lugar. Seguiu-se o Grande Prémio do Mónaco onde ambos os Tyrrell P34 terminaram no pódio, com Scheckter em 2º e Depailler no 3º lugar. A corrida que se seguiu foi o Grande Prémio da Suécia, onde Jody Scheckter obteve a pole-position e venceu a corrida na frente do seu companheiro de equipa. No resto da temporada o Tyrrell P34 colecionou seis segundos lugares, três para cada piloto. No final da temporada a Tyrrell ocupou o 3º lugar no Campeonato de Construtores.
O ano seguinte foi um fracasso, o Tyrrell P34, apesar de ter uma nova carroceria, ainda sofria dos maiores problemas que tinha enfrentado no ano anterior, a grande degradação dos pneus frontais e o aquecimento dos travões nas rodas da frente. A equipa britânica conseguiu quatro pódios ao longo de toda a temporada, com Ronnie Peterson, que substituiu Jody Scheckter, a ser 3º na Bélgica e Depailler a ser, também, 3º na África do Sul e no Japão, enquanto que no Canadá conseguiu o 2º lugar. No final dessa temporada, Derek Gardner deixou a Tyrrell e a Goodyear terminou a produção dos pneus de dez polegadas, por ser demasiado dispendioso.
Com uma vida tão curta na F1 e todos os problemas encontrados, é fácil pensar que o P34 foi um fracasso, mas essa história tem um final feliz.
Durante a metade da década de 1990, Derek Gardner juntou-se ao histórico proprietário de carros de F1 Simon Bull para restaurar um Tyrrell 005 (carro que Jackie Stewart pilotou em 1972 e 1973), na primeira FIA TGP Cup, o carro foi conduzido por Martin Stretton e venceu na sua classe. Estimulado por este sucesso, Simon decidiu ressuscitar mais um Tyrrell do final dos anos 70 e questionou Gardner qual carro seria a sua escolha, sempre pronto para um desafio e querendo terminar alguns negócios inacabados, Derek naturalmente escolheu o P34. 
O fabricante de pneus Avon aceitou fabricar os pneus de 10 polegadas e Derek Gardner, ajudado pela tecnologia moderna, conseguiu resolver o problema de travões que sempre afetou o Tyrrell P34. 
Em 1999 e em 2000, o Tyrrell P34 ganhou o Campeonato de F1 Históricos. Desde então correu no Goodwood Festival of Speed e faz aparições regulares em muitos eventos históricos, onde atrai multidões e a imprensa aonde quer que vá, garantindo que este grande pedaço da história do automobilismo sobreviva.


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