29 de agosto de 2021

DIDIER PIRONI

 

Didier Joseph Louis Pironi nasceu no dia 26 de Março de 1952 em Villecresnes, França.
Pironi estudou engenharia e mais tarde formou-se em ciências, mas todos esses conhecimentos que adquiriu ficaram para trás quando se matriculou na escola de pilotagem no Circuito de Paul Ricard.
Em 1972, obteve o patrocínio de Piloto Elf, um programa criado para promover jovens talentos do automobilismo francês e que já tinha levado René Arnoux, Alain Prost e Patrick Tambay à F1.
Em 1974, venceu o título de campeão de Formula Renault francesa. Dois anos mais tarde tornou-se campeão da Formula Super Renault e em 1977 ganhou a prova de F3 no Mónaco.
Em 1978, foi contratado pela equipa Tyrrell e estreou-se no Campeonato do Mundo de F1 no Grande Prémio da Argentina, prova que terminou no 14º lugar. Na corrida seguinte, no Brasil, Pironi obteve o 6º lugar e conseguiu o seu primeiro ponto na F1. Nessa temporada voltou a ocupar o 6º lugar na África do Sul e na Bélgica, e foi 5º no Mónaco e na Alemanha.
No ano seguinte continuou na equipa Tyrrell e os resultados foram um pouco melhores. No Grande Prémio da Bélgica foi 3º e conseguiu o seu primeiro pódio na F1, resultado que igualou no Grande Prémio dos Estados Unidos. Foi ainda 4º no Brasil, 5º no Canadá e 6º em Espanha.
Em 1980, ingressou na equipa francesa Ligier. Depois de começar o campeonato com uma desistência na Argentina, foi 4º no Brasil, 3º na África do Sul e 6º em Long Beach. Na quinta corrida da temporada, o Grande Prémio da Bélgica, Didier Pironi venceu a sua primeira corrida de F1, depois de liderar todas as 72 voltas da prova. Nas restantes nove corridas, terminou apenas quatro, sendo 6º em Itália, 3º no Canadá e nos Estados Unidos e 2º em França.
Em 1981, foi contratado pela Ferrari para ser o companheiro de equipa de Gilles Villeneuve. A temporada acabou por não ser brilhante, com alguns erros a juntar aos problemas de fiabilidade que o Ferrari 126 CK apresentou, Pironi apenas pontuou em quatro corridas, foi 4º no Mónaco e 5º em San Marino, França e Itália. 
O ano de 1982 foi o melhor e ao mesmo tempo o pior de Pironi na F1. O piloto francês começou a temporada da pior forma, com o abandono no Grande Prémio de África do Sul. Depois de terminar em 6º no Brasil, voltou a desistir em Long Beach. Na corrida seguinte, em San Marino,    onde apenas estiveram 14 carros à partida, os Ferrari aproveitaram o abandono dos Renault para liderar a corrida. Villeneuve acreditava que a vitória era sua devido a ordens de equipa, mas Pironi não concordou e passou o canadiano na última volta. Os dois pilotos cortaram relações e Villeneuve morreu nos treinos da prova seguinte, na Bélgica, quando tentava bater o tempo de Pironi e chocou contra o March de Jochen Mass. Pironi foi considerado moralmente responsável pelo acidente pois tinha sido a sua manobra na prova anterior a causa do estado de espírito de Villeneuve.
Mas os problemas do francês mal tinham começado. No Mónaco, perdeu a vitória na derradeira volta por falta de combustível no carro e no Canadá deixou o Ferrari ir abaixo na largada, sendo abalroado por Riccardo Paletti, que perdeu a vida como consequência do acidente. Felizmente, Pironi viu a fortuna sorrir-lhe no GP da Holanda, onde roubou o comando a René Arnoux para não mais o largar. Um 2º lugar em Inglaterra e um 3º em França deixaram-no no comando do campeonato com nove pontos de vantagem e o francês começava agora a sonhar com o título.
Depois veio a Alemanha. Pironi já havia conquistado a pole-position na solarenga sexta-feira, portanto não havia motivo para sair para a pista no chuvoso sábado. No entanto, o francês saiu das boxes, até que, sem visibilidade, chocou com o Renault de Alain Prost, levantando voo e batendo de frente nas barreiras de proteção. As suas pernas ficaram inutilizadas, obrigando a diversas intervenções cirúrgicas ao longo dos anos. Apesar de ter perdido quatro corridas das quatorze daquele ano, Pironi perdeu o título para Keke Rosberg por apenas 5 pontos.
Em 1986, Pironi já conseguia andar sem ajuda e tentou voltar à F1. O piloto francês fez um teste no Circuito de Paul Ricard com a equipa AGS e depois com a Ligier em Dijon-Prenois, mas o regresso acabou por não se concretizar. 
Pironi decidiu por competir em provas de barcos offshore. No dia 23 de Agosto de 1987, Didier Pironi morreu num acidente na corrida do troféu Needles perto da Ilha de Wight, que também tirou a vida de seus dois tripulantes. A sua esposa, Catherine Groux, estava grávida de gêmeos, que nasceram no dia 6 de Janeiro de 1988. Catherine batizou os meninos com os nomes de Didier e Gilles, como forma de homenagear os outrora rivais nas pistas.
Pironi para além da F1 participou nas 24 Horas de Le Mans em 1976, 1977, 1978 e 1980, vencendo a mítica corrida em 1978 ao volante de um Renault Alpine A442B.
Didier Pironi esteve 5 anos envolvido na F1. Disputou 70 Grandes Prémios. Conquistou 3 vitórias, 4 poles-position, 5 voltas mais rápidas e 13 pódios.

22 de agosto de 2021

LE MANS

 

O Circuito Bugatti é um autódromo localizado dentro do complexo do Circuito de Le Mans, na França.
Foi durante a década de cinquenta que se idealizou a construção de um circuito permanente dentro do perímetro da pista usada para as 24 Horas de Le Mans. Os elevados custos, associados a todos os inconvenientes de fechar as estradas públicas, limitaram o uso do Circuito de Le Mans e cada vez mais os pilotos e as equipas locais começaram a fazer pressão para avançar a construção de uma pista que pudesse ser usada durante todo o ano. 
Em 1964, Charles Deutsch iniciou o projeto da pista que iria ter 4.422 quilómetros e iria passar pela área arborizada que ficava por trás do paddock principal do Circuito de Le Mans, e também pela recta da meta, aproveitando as boxes, o paddock e as bancadas já existentes da pista das 24 horas.
As obras de construção do circuito começaram no inverno de 1964 e terminaram em Abril de 1965. 
O Circuito Bugatti, homenageia Ettore Bugatti, o fundador e construtor da famosa marca de carros desportivos Bugatti que venceu as 24 Horas de Le Mans em 1937 e 1939.
Em 1967, no dia 2 de Julho, o Circuito Bugatti recebeu o Grande Prémio de França de F1. Depois de Graham Hill, em Lotus-Ford, ter conquistado a pole-position nos treinos de qualificação realizados no sábado, cerca de vinte mil pessoas assistiram à corrida de domingo e presenciaram a vitória de Jack Brabham ao volante do Brabham-Repco, na frente do seu companheiro de equipa, o neozelandês Denny Hulme. Jack Brabham liderou 60 das 80 voltas da corrida, Jim Clark esteve 16 voltas na frente e Graham Hill apenas 4. A volta mais rápida da corrida pertenceu a Graham Hill. 
Esse foi o único Grande Prémio de F1 disputado no Circuito Bugatti em Le Mans.

18 de agosto de 2021

NELSON PIQUET


Nelson Piquet Souto Maior nasceu no dia 17 de Agosto de 1952 no Rio de Janeiro, Brasil.
Filho de Estácio Gonçalves Souto Maior, um médico que mais tarde se tornou Ministro da Saúde no governo de João Goulart entre 1961 a 1964 e que pretendia que Piquet fosse jogador de ténis profissional, tendo-lhe oferecido uma bolsa de estudo numa escola em Atlanta, nos Estados Unidos. Apesar de Piquet ter sido considerado, pelos seus treinadores, como um bom tenista, decidiu deixar o ténis por o achar um desporto desinteressante.
Nelson Piquet começou a disputar corridas de karting com 14 anos, mas como o seu pai não apoiava a sua carreira de piloto, passou a adotar o nome da sua mãe, Clotilde Piquet, mas escrito de forma errada como Piket, para ocultar a sua verdadeira identidade.
Piquet estudou engenharia mecânica na Universidade de Brasília, mas deixou os estudos para passar a trabalhar numa garagem para conseguir financiar a sua carreira no automobilismo. 
Campeão brasileiro de karting em 1971 e 1972, em 1976 sagrou-se campeão na Formula Super-Vee. Em 1977, disputou algumas corridas do Campeonato Europeu de F3, tendo terminado o campeonato no terceiro lugar, com duas vitórias. No ano seguinte, correu no Campeonato Britânico de F3 e conquistou o título de campeão, batendo o recorde de vitórias que pertencia a Jackie Stewart. 
No dia 30 de Julho de 1978, Nelson Piquet estreou-se na F1, com a equipa Ensign, no Grande Prémio da Alemanha. O piloto brasileiro conseguiu o 21º lugar na grelha de partida, mas desistiu na 31ª volta com problemas de motor no seu carro. Nas três provas seguintes (Áustria, Holanda e Itália), correu com um McLaren M23 da equipa BS Fabrications. Apesar de ter somado dois abandonos e de ter terminado no 9º lugar em Monza, Piquet deixou boas impressões e na última prova da temporada, no Canadá, ingressou na equipa Brabham, liderada na época por Bernie Ecclestone, iniciando uma longa parceria que durou sete anos.
Em 1979, Piquet disputou a sua primeira temporada completa tendo como companheiro de equipa Niki Lauda. Com um carro desatualizado, o piloto brasileiro desistiu em doze das quinze provas da temporada. No Grande Prémio da Holanda terminou no 4º lugar e assim conquistou os seus primeiros pontos na F1. Nas duas últimas corridas do campeonato a Brabham trocou os motores Alfa Romeo para os Ford Cosworth, o que permitiu a Piquet largar da primeira linha da grelha de partida e obter a volta mais rápida da corrida no Grande Prémio dos Estados Unidos, a última prova da temporada.
Em 1980, Piquet desistiu apenas quatro vezes e nas outras dez provas terminou sempre nos lugares pontuáveis. Começou o campeonato com o 2º lugar na Argentina e dessa forma conseguiu o seu primeiro pódio na F1. Depois de ter abandonado no Brasil e de ter sido 4º na África do Sul, conquistou a sua primeira vitória no Grande Prémio de Long Beach, após ter obtido a sua primeira pole-position e de ter liderado pela primeira vez uma corrida de F1. Ainda nessa temporada, voltou a subir ao degrau mais alto do pódio na Holanda e em Itália. 
No ano de 1981, Nelson Piquet ganhou na Argentina, San Marino e Alemanha. Foi 2º na Holanda e 3º em Long Beach, França e Áustria. Conseguiu ainda o 5º lugar no Canadá e em Las Vegas e foi 6º em Itália. Foram esses resultados que lhe deram os 50 pontos com que terminou o campeonato na primeira posição, com apenas mais um ponto do que Carlos Reutemann, da Williams.
No ano seguinte, Piquet apenas conseguiu pontuar em quatro corridas. Foi 5º na Bélgica, 4º no Grande Prémio da Suíça que se disputou no circuito francês de Dijon-Prenois, 2º na Holanda e ganhou no Canadá.
O ano de 1983, já foi bem diferente. Nelson Piquet começou por vencer o Grande Prémio do Brasil e ganhou ainda em Itália e em Brands Hatch, onde se disputou o Grande Prémio da Europa. Conseguiu ainda três 2ºs lugares (França, Mónaco e Inglaterra). Foi 3º na Áustria e na África do Sul, e 4º na Bélgica e em Detroit, no final do campeonato conquistou o seu segundo título de Campeão Mundial.
Em 1984, pontuou em apenas cinco provas, tendo colecionado três pódios. Ganhou no Canadá e em Detroit, foi 2º na Áustria, 3º no Grande Prémio da Europa e 6º no Estoril, que recebeu nesse ano o Grande Prémio de Portugal pela primeira vez. Nesse ano, Piquet obteve 9 pole-positions, igualando o recorde que pertencia a Niki Lauda e Ronnie Peterson.
No ano seguinte, Piquet voltou a pontuar em cinco provas. Ganhou em França, foi 2º em Itália, 4º em Inglaterra, 5º na Bélgica e 6º em Detroit.
Em 1986, ingressou na equipa Williams. Com o melhor carro do pelotão, Piquet conseguiu quatro vitórias em toda a temporada. Ganhou no Brasil, Alemanha, Hungria e Itália. Terminou ainda seis provas no pódio, com o 2º lugar em San Marino, Inglaterra e Austrália, e o 3º lugar no Canadá, França e Portugal. O piloto brasileiro esteve na luta pelo título até à última corrida, mas acabou por ficar na 3ª posição da classificação final, atrás de Alain Prost e de Nigel Mansell.
Em 1987, ganhou três corridas, na Alemanha, Hungria e Itália, no entanto obteve por sete vezes o 2º lugar (Brasil, Mónaco, Detroit, França, Inglaterra, Áustria e México). Foi 3º em Portugal e 4º em Espanha. Conquistou pela terceira vez o título de Campeão Mundial de Pilotos, num ano em que sofreu um violento acidente na curva Tamburello, nos treinos para o Grande Prémio de San Marino e que lhe deixaram com graves problemas de insónias, acordando a meio da noite sem saber onde estava ou quem era.
Em 1988, Piquet trocou a Williams pela Lotus. Pela primeira vez desde 1978, terminou o ano sem vencer. O melhor que conseguiu nessa temporada foi o 3º lugar no Brasil, em San Marino e também na Austrália. 
O ano seguinte foi ainda mais penoso, com o 4º lugar que conseguiu no Canadá, Inglaterra e Japão a ser o melhor resultado de toda a temporada.
Em 1990, Piquet voltou a mudar de equipa e ingressou na Benetton. Conseguiu pontuar com regularidade e subiu por quatro vezes ao pódio, com o ponto alto a ser as vitórias nas duas últimas provas da temporada, no Japão e na Austrália.
O ano seguinte já não foi tão positivo, mas ainda assim venceu o Grande Prémio do Canadá, conseguindo ainda o 3º lugar nos Estados Unidos e na Bélgica. Piquet terminou o campeonato com o 4º lugar no Grande Prémio da Austrália , naquela que foi a sua última corrida na F1. 
Em 1992, Piquet decidiu participar nas 500 Milhas de Indianápolis. Durante os treinos sofreu um violento acidente e embateu contra o muro, causando graves ferimentos nos pés e nas pernas, sendo internado com urgência no Hospital de Indianápolis onde foi submetido a uma longa cirurgia. No ano seguinte e já totalmente recuperado, voltou a Indianápolis e disputou a corrida até desistir na 38ª volta com problemas no motor do seu carro.
Em 1996 e 1977, participou nas 24 Horas de Le Mans ao volante de um McLaren F1 GTR, conseguindo um 8º lugar na sua primeira participação, tendo desistido no ano seguinte.
No dia 20 de Janeiro de 2000, Piquet ganhou a 50ª edição das Mil Milhas Brasileiras, no circuito de Interlagos, onde conduziu um Aston Martin DBR9 que dividiu com o seu filho Nelson Piquet Junior.
Nos 14 anos em que esteve na F1, Nelson Piquet disputou 204 Grandes Prémios. Conquistou 23 vitórias, 24 pole-positions, 23 voltas mais rápidas e 60 pódios. Sagrou-se por três vezes Campeão do Mundo de Pilotos.


15 de agosto de 2021

NEIL OATLEY

 

Neil Oatley nasceu no dia 12 de Junho de 1954 em Londres.
Apaixonado por automobilismo desde criança, Oatley tinha oito anos de idade quando assistiu pela primeira vez a uma corrida de automóveis no Circuito de Brands Hatch. Pouco tempo depois a sua família mudou-se para Kent e Neil Oatley passou a viver a cerca de vinte quilómetros de Brands Hatch e foi nesse circuito que em 1965, viu pela primeira vez uma prova de F1, quando ali se disputou a Corrida dos Campeões.
45 Minutos de bicicleta, era o tempo que Neil Oatley demorava entre a sua nova casa e Brands Hatch, onde passava todos os fins-de-semana a fazer desenhos dos carros de corrida, uma atracão que foi aumentando com o passar dos anos e que influenciou a sua vida.
Oatley frequentou a Universidade de Loughborough, onde se formou engenheiro automotivo. Com o curso terminado, conseguiu emprego numa empresa de engenharia em Chesterfield, mas o seu sonho era trabalhar em automóveis. 
Aos 23 anos, o seu sonho tornou-se uma realidade e no dia 12 de Setembro de 1977, um dia após o Grande Prémio de Itália, Neil Oatley ingressou na equipa fundada por Frank Williams e começou a trabalhar junto com o chefe de design, Patrick Head. Oatley passou a ser o responsável pelo carro de Alan Jones a meio do ano de 1978, mas no ano seguinte tornou-se o engenheiro de pista de Clay Regazzoni. O ponto alto da equipa Williams e da dupla Oatley/Regazzoni, em 1979, aconteceu no Grande Prémio de Inglaterra quando o piloto suíço venceu a corrida, o que foi a primeira vitória da Williams.
Neil Oatley continuou por mais cinco anos com a Williams. Ajudou a equipa britânica a vencer dois campeonatos de construtores.
No final de 1984, Oatley foi abordado por um antigo colega da Williams, Charlie Crichton-Stuart, que lhe perguntou se estava interessado em ser um dos projectista da nova equipa, Haas Lola, patrocinada pela empresa Beatrice Foods. Oatley viu que essa era a oportunidade que tinha para se afirmar e aceitou o convite, mas o projeto foi cancelado antes que p engenheiro inglês pudesse ter alguma influência, pois houve uma mudança na liderança da direção da empresa Beatrice e o novo presidente não estava interessado em corridas de automóveis. 
Em 1988, Neil Oatley foi contratado pela McLaren e passou a trabalhar como engenheiro de pista do piloto Alain Prost nos anos de 1987 e 1988. O seu primeiro projeto de design foi modificar um dos chassis MP4/4 de 1988, para poder acomodar o motor Honda V10 que a equipa iria usar no ano seguinte. Um projeto bem-sucedido, pois a McLaren venceu o campeonato de construtores dessa temporada.
Com a passagem de Prost para a Ferrari, no final de 1989, Oatley ficou como engenheiro de Ayrton Senna e voltou a estar diretamente ligado aos dois títulos mundiais que a McLaren e Senna conquistaram em 1990 e 1991.
Nos anos seguintes, Neil Oatley deixou de trabalhar diretamente com os pilotos nas pistas para se dedicar apenas ao projeto dos monolugares. Com a evolução da tecnologia, Oatley passou a ter mais dados disponíveis, mas também mais material para analisar, o que foi um progresso da F1 e que levou as equipas a organizarem-se de uma outra forma, havendo uma maior distância entre o departamento de corrida e design.
Neil Oatley continuou como Projectista-Chefe na McLaren até 2003 e liderou o projeto do MP4/13 e do MP4/14, carros que venceram o campeonato de construtores e de pilotos em 1998 e 1999.
Ainda em 2003, Oatley passou a Diretor Executivo de Engenharia da McLaren, cargo que ocupou até 2012, ano em que decidiu retirar-se da F1.  

11 de agosto de 2021

PATRICK DEPAILLER


Patrick André Eugène Joseph Depailler nasceu no dia 9 de Agosto de 1944 em Clermont-Ferrand, França.
Quando era criança, Patrick Depailler, era um grande admirador do piloto de F1 Jean Behra, o que o inspirou a ser também um piloto de corridas. Na década de sessenta, Depailler começou a competir em provas de Sport ao volante de um Renault Alpine, tendo terminado em 3º lugar nos 1000 km de Monza em 1968. Depois passou pela F2 e também pela F3, onde venceu o título de campeão francês.
No ano de 1972 Patrick Depailler estreou-se na F1 no Grande Prémio de França ao volante de um Tyrrell-Ford. Nesse ano ainda disputou mais uma corrida, nos Estados Unidos, onde terminou em 7º lugar.
Em 1974 ingressou na Tyrrell junto com Jody Scheckter, os dois substituíram o escocês Jackie Stewart, que tinha abandonado a F1 no final do ano de 1973 e o francês François Cevert, que morreu num acidente na última corrida do campeonato anterior. Na primeira corrida do ano, na Argentina, Depailler obteve o seu primeiro ponto na F1, ao terminar em 6º lugar. No Grande Prémio da Suécia, conquistou a sua primeira pole-position e também o seu primeiro pódio com o 2º lugar, atrás do seu companheiro de equipa. Depailler terminou o campeonato com 14 pontos e o 9º lugar na classificação.
No ano seguinte o único resultado relevante foi o 3º lugar no Grande Prémio de África do Sul.
Em 1976 começou a temporada com o 2º lugar no Grande Prémio do Brasil, resultado que obteve também na Suécia, França, Canadá e Japão. Nesse ano e com a exceção das três primeiras provas do campeonato, Depailler guiou o Tyrrell P34, o famoso monolugar de seis rodas. No Campeonato, Depailler ficou em 4º lugar, a trinta pontos do campeão James Hunt.
Na temporada seguinte Depailler continuou a usar o Tyrrell P34, mas o carro mostrou alguma falta de competitividade e fiabilidade obrigando o piloto francês a desistir 9 das 17 provas do campeonato. Um 2º lugar no Canadá, dois 3ºs lugares na África do sul e no Japão e dois 4ºs lugares em Long Beach e na Suécia foram os únicos resultados pontuáveis em toda a temporada.
Em 1978 a Tyrrell voltou a usar um modelo de carro convencional. Após as primeiras quatro provas, Patrick somava dois 3ºs lugares, um 2º e uma desistência. Na corrida seguinte, o Grande Prémio do Mónaco, Depailler depois de largar do 5º posto, conquistou a vitória na corrida, a sua primeira na F1. No final dessa prova, o piloto francês liderava o campeonato com 23 pontos, mas nas 11 corridas seguintes apenas obteve um 2º lugar na Áustria, um 4º lugar em Inglaterra e um 5º lugar no Canadá, que o atiraram para a 5ª posição no final da temporada.
Em 1979, Depailler mudou de equipa e ingressou na Ligier. Depois de ter terminado em 4º lugar no primeiro Grande Prémio da temporada, na Argentina, obteve a segunda posição no Brasil. Na terceira prova do campeonato, na África do Sul, o piloto francês teve que desistir devido a um acidente. Na prova seguinte em Long Beach, regressou aos lugares pontuáveis com um 5º lugar. De seguida, no Grande Prémio de Espanha conquistou a vitória, o que lhe valeu igualar Gilles Villeneuve na liderança do campeonato. Mas os abandonos na Bélgica e no Mónaco, onde ainda conseguiu resgatar o 5º lugar, obrigaram-no a atrasar-se na tabela classificativa. No dia 3 de Junho, Patrick Depailler sofreu um grave acidente de asa-delta, que lhe causou várias fraturas em ambas as pernas e o obrigou a ficar afastado da F1 até final do ano.
A Ligier não renovou o seu contrato para 1980 e Depailler encontrou lugar na equipa Alfa Romeo. No entanto a temporada foi um desastre, nas oito primeiras corridas, somava sete desistências e uma não classificação. 
No dia 1 de Agosto, Depailler testava o Alfa Romeo em Hockenheim quando a suspensão traseira do seu carro partiu, o que o fez perder o controlo do carro que bateu violentamente no muro de proteção na Ost Kurve. Depailler faleceu em função dos ferimentos fatais na cabeça, na mesma data em que, em 1959, morreu também num acidente o seu ídolo Jean Behra.
Patrick Depailler esteve oito anos envolvido na F1. Disputou 95 Grandes Prémios, conquistou 2 vitórias, 1 pole-position, 4 voltas mais rápidas e 19 pódios.


8 de agosto de 2021

HUNGARORING

 

O Circuito de Hungaroring é a sede do Grande Prémio da Hungria de F1 desde 1986.
Na década de trinta, começaram a realizar-se corridas de automobilismo numa pista citadina nas ruas do parque Népliget em Budapeste. Alguns anos após o termo da Segunda Guerra Mundial as corridas voltaram a acontecer mas num percurso improvisado no Aeroporto Ferihegy de Budapeste. A Formula Júnior continuou em Ferihegy durante três anos, mas depois as corridas voltaram para Népliget, onde continuaram na década de 1970.
Na década de oitenta o governo húngaro estava empenhado em aumentar o turismo e a visibilidade do país e um dos meios escolhidos para esse efeito foi o automobilismo, com o desejo de receber uma corrida de F1. Inicialmente foi proposto realizar as corridas no circuito citadino de Népliget, tal como acontece no Mónaco, mas essa proposta foi prontamente rejeitada e ficou decidido construir um novo circuito. O local escolhido foi um vale, 20 quilómetros a norte de Budapeste, próximo da cidade de Mogyoród, ao lado da auto-estrada M3 e a 24 quilómetros do Aeroporto Internacional  Ferenc Liszt de Budapeste.
As obras tiveram início no dia 1 de Outubro de 1985 e ficaram concluídas em apenas oito meses, mesmo tendo sido necessário modificar o desenho da pista quando uma fonte subterrânea obrigou o desvio do traçado e a criação de uma curva em S.
A inauguração do circuito de Hungaroring aconteceu no dia 24 de Março de 1986, com uma corrida de motociclismo.
No dia 10 de Agosto de 1986, foi disputado o primeiro Grande Prémio da Hungria que foi ganho por Nelson Piquet em Williams-Honda. Ayrton Senna ao volante de um Lotus-Renault, obteve a pole-position. Foi a primeira corrida de F1 a ser disputada num dos países da chamada "Cortina de Ferro".
Desde esse ano de 1986 o circuito de Hungaroring esteve sempre presente no Campeonato do Mundo de F1 até aos dias de hoje.
Em 1989, o problema com as águas subterrâneas foi resolvido e a curva em S desapareceu. Novas alterações no circuito aconteceram em 2003, com a construção de um novo paddock, foi modificada a curva 12 e também a curva 1, que passou a ser mais fechada para possibilitar mais ultrapassagens.
Hungaroring já foi palco de corridas e manobras memoráveis, como a ultrapassagem de Nelson Piquet a Ayrton Senna em 1986, a vitória de Nigel Mansell em 1989 depois de ter largado do 12º lugar, a grande vitória de Ayrton Senna em 1991 que aguentou os Williams-Renault de Nigel Mansell e Riccardo Patrese atrás de si durante todas as 77 voltas e o surpreendente domínio de Damon Hill com a Arrows-Yamaha em 1997 que durou até à penúltima volta.
O Circuito de Hungaroring também presenciou as primeiras vitórias na F1 de Damon Hill em 1993, Fernando Alonso em 2003, Jenson Button em 2006, Heikki Kovalainen em 2008 e Esteban Ocon em 2021. Assim como da equipa Alpine também em 2021.
Nos treinos de qualificação do Grande Prémio da Hungria de 2009, Filipe Massa sofreu um grave acidente ao ser atingido na cabeça por uma mola que se soltou do Brawn-Mercedes de Rubens Barrichello, que seguia à sua frente. Massa ficou inconsciente e bateu de frente numa barreira de pneus, sendo transportado de helicóptero para o hospital onde foi submetido a uma cirurgia na área do seu olho esquerdo. Massa voltou à F1 em 2010.
Nos 36 anos que o Circuito de Hungaroring recebeu a F1, foram 18 os pilotos vencedores e 9 as equipas. Lewis Hamilton com 8 vitórias é o piloto recordista, a McLaren com 11 triunfos é a equipa que mais vezes venceu no circuito magiar.

4 de agosto de 2021

RICHIE GINTHER

 

Paul Richard Ginther, conhecido como Richie Ginther, nasceu no dia 5 de Agosto de 1930 em Hollywood, Estados Unidos da América.
Alguns anos mais tarde a sua família foi morar para Santa Mónica, a mesma cidade californiana do futuro Campeão Mundial de Formula 1 Phil Hill, e foi através de Hill, um amigo do irmão mais velho de Richie, George, que começou a correr. Quando terminou os estudos em 1948, Ginther foi trabalhar com o seu pai numa loja de ferramentas e ferragens e nos tempos livres ajudava Phil Hill a tratar dos seus carros. 
Em 1951, Richie Ginther estreou-se em Pebble Beach a conduzir um carro tipo MG com motor Ford. 
No entanto, a carreira de Ginther foi suspensa pouco tempo depois, quando foi chamado a cumprir o serviço militar durante dois anos na Guerra da Coreia. Durante esse período ganhou experiência em mecânica de aeronaves e motores, habilidades que ele mais tarde utilizou durante sua carreira de piloto. 
Dois anos depois e terminada a obrigação militar, Phil Hill convenceu Ginther para ser o seu co-piloto na Carrera Panamericana de 1953, onde conduziram um Ferrari até Hill se despistar e ser obrigado a abandonar a corrida. Ginther e Hill saíram ilesos do acidente e voltaram no ano seguinte, acabando em segundo lugar. Ainda nesse ano de 1954, Ginther voltou à função de piloto com relativo sucesso. As suas vitórias impressionaram John von Neumann, um revendedor da Porsche que o contratou para conduzir precisamente um Porsche em algumas corridas. Quando von Neumann começou a negociar carros Ferrari em 1956, Ginther também teve a oportunidade de conduzi-los. Nos anos seguintes e quase sempre ao volante de um Ferrari, venceu várias corridas nos E.U.
Em 1960, estreou-se na F1 no Grande Prémio do Mónaco, onde terminou a corrida em 6º lugar ao comando de um Ferrari. No ano seguinte e ainda na equipa de Maranello, o melhor que conseguiu foi um 2º lugar em Monte Carlo, logo atrás de Stirling Moss.
Em 1962 Ginther ingressou na equipa britânica BRM, tendo como companheiro de equipa o inglês Graham Hill que venceu o Mundial de Pilotos desse ano. Ginther permaneceu na BRM por mais dois anos.
A sua reputação como um bom piloto de equipa e um excelente piloto de testes valeu-lhe o convite para integrar a equipa Honda, que se estreava na F1 em 1965. Na última prova do campeonato dessa temporada, o Grande Prémio do México, Ginther venceu pela primeira vez na F1 e deu a primeira vitória à equipa nipónica, foi também o primeiro triunfo dos pneus Goodyear na F1.
Em 1966, o regulamento da F1 mudou, e os motores passaram a ser de três litros. Com isso, a Honda retirou-se da categoria até que o seu novo propulsor ficasse pronto, e Ginther disputou apenas as duas primeiras provas do ano, com um pouco competitivo Cooper-Maserati. Nas três provas finais, já com o novo carro da Honda, Ginther conseguiu um quarto lugar no México. 
Em 1967 Richie mudou para Eagle-Weslake da equipa do seu compatriota Dan Gurney. No Grande Prémio do Mónaco não conseguiu qualificar-se para a corrida e decidiu abandonar a F1.
Nos sete anos em que esteve na F1, Ginther participou em 52 provas, venceu 1 vez e terminou no pódio 14 corridas.
Richie Ginther morreu de ataque cardíaco durante as férias com sua família em França no dia 20 de Setembro de 1989.

1 de agosto de 2021

SAUBER

 

A Sauber F1 Team foi uma equipa suíça que participou no Campeonato do Mundo de F1 durante 22 anos.
Criada em 1970 por Peter Sauber como PP Sauber AG, a equipa helvética começou por participar em corridas de montanha, mas depressa passou a disputar provas de endurance. 
O Sauber C5, foi o primeiro carro de sucesso criado pela Sauber que venceu o Campeonato Interséries em 1976 e que sendo um carro que se enquadrava no regulamento do Grupo 6 do Campeonato Mundial de Resistência, participou nas 24 Horas de Le Mans em 1977 e 1978, tendo chegado a liderar a sua categoria até desistir, o que aconteceu em ambos os anos.
No início dos anos oitenta, a Sauber participou em corridas de GT com um BMW M1 que pilotado por Hans-Joachim Stuck e Nelson Piquet, venceu os 1.000 quilómetros de Nurburgring em 1981. Já no final da década, a Sauber e a Mercedes associaram-se e conquistaram a vitória nas 24 Horas de Le Mans em 1989, assim como o Campeonato Mundial de Protótipos em 1989 e 1990.
Em 1993, a Sauber estreou-se na F1. Logo na primeira corrida, J.J. Lehto conseguiu os primeiros pontos para a equipa com o 5º lugar no Grande Prémio de África do Sul. O primeiro pódio aconteceu em 1995, no Grande Prémio de Itália, onde Heinz-Harald Frentzen obteve o 3º lugar. Foi também o 3º lugar que Johnny Herbert conseguiu no Mónaco em 1996 e na Hungria em 1997, já no ano seguinte foi a vez de Jean Alesi igualar esse resultado na Bélgica. Depois de dois anos sem colecionar pódios a Sauber voltou a conseguir um 3º lugar por intermédio de Nick Heidfeld no Grande Prémio do Brasil de 2001. Nesse ano a equipa suíça conseguiu a sua melhor classificação de sempre com o 4º lugar no Campeonato Mundial de Construtores, atrás apenas da Ferrari, McLaren e Williams. A Sauber voltou ao pódio em 2003, no Grande Prémio dos Estados Unidos, onde Heinz-Harald Frentzen, que tinha regressado à equipa no ano anterior, obteve novamente o 3º lugar.
No final de 2005, a Sauber foi vendida à BMW, mas em 2009 a marca bávara decidiu deixar a F1 e o controlo da equipa voltou às mãos de Peter Sauber. 
Em 2010 a equipa ainda correu com o nome de BMW Sauber, mas a partir de 2011 voltou ao seu nome original. 
Em 2012, a Sauber conseguiu quatro pódios. Três através de Sergio Pérez, que foi 2º na Malásia e em Itália e 3º no Canadá, enquanto que Kamui Kobayashi terminou o Grande Prémio do Japão no 3º lugar, tornando-se o terceiro piloto japonês a subir a um pódio, na história da F1, e o segundo em Suzuka. Esse foi ainda o último pódio da Sauber na F1.
O ano de 2014 foi o pior da Sauber, pois a equipa suíça não conseguiu marcar um único ponto, o que aconteceu pela primeira vez na sua história.
Em Julho de 2016, a empresa suíça de investimento, Longbow Finance, adquiriu a totalidade das ações da equipa e Peter Sauber deixou a equipa que levava o seu nome e retirou-se do automobilismo.  
O ano de 2018 foi o último da Sauber na F1, pois a partir de 2019 a equipa passou a designar-se Alfa Romeu Racing.
Nos 14 anos em que a Sauber competiu na F1 apenas conseguiu 3 voltas mais rápidas e 10 pódios. Apesar de nunca ter sido uma equipa de primeira linha, a Sauber ficou conhecida por abrir as portas da F1 a jovens pilotos que depois tiveram carreiras de sucesso, como o caso de: Kimi Raikkonen, Felipe Massa, Heinz-Harald Frentzen, Sergio Pérez e mais recentemente, Charles Leclerc.