A Scuderia Ferrari é a uma equipa de automobilismo do departamento de competição da marca italiana Ferrari.
Fundada no dia 16 de Novembro de 1929 por Enzo Ferrari, a Scuderia Ferrari tornou-se a equipa de corrida da Alfa Romeo. Em 1938, a administração da Alfa Romeo decidiu que a marca iria passar a usar o seu próprio nome nas corridas, estabelecendo o departamento, Alfa Corse. Enzo Ferrari discordou dessa decisão e foi demitido da Alfa Romeo em 1939. Os termos da sua saída, proibiram-no de competir com o próprio nome por um período de quatro anos.
Ainda em 1939 a Ferrari começou a trabalhar num carro de corrida, o Tipo 815, que foi projetado por Alberto Massimino, sendo esse o primeiro carro da Ferrari.
A Segunda Guerra Mundial colocou um ponto final temporário nas corridas, com a Ferrari a passar a fabricar maquinas e ferramentas. Após a guerra, a Ferrari recrutou vários engenheiros e mecânicos da Alfa Romeo e estabeleceu uma nova Ferrari, que iria passar a projetar e a construir os seus próprios carros.
A equipa tinha a sua sede em Modena, mas em 1943, Enzo Ferrari mudou as instalações da empresa para Maranello. A marca italiana recebeu o nome do seu fundador e adotou o cavalo empinado preto como símbolo. Em 1984, Enzo Ferrari contou a história do mítico emblema: “O cavalo estava pintado no avião de caça de Francesco Baracca, o heroico piloto caído em combate na montanha de Montello. Foi considerado o ás dos ases da Primeira Guerra Mundial. Quando em 1923 ganhei a primeira corrida do Savio, disputada em Ravenna, conheci, nessa ocasião, o conde Enrico Baracca, pai do herói e, posteriormente, a sua mãe, a condessa Paolina. E foi ela que, um dia me disse: “Ferrari, poe o “cavallino” do meu filho nos teus carros. Isso dar-te-á sorte.” Conservo, ainda hoje, a fotografia de Baracca, com a dedicatória de seus pais, no momento em que confiaram a utilização do emblema. O cavalo era e continua a ser preto, juntei-lhe apenas o fundo amarelo canário, que é a cor de Modena.”
Em maio de 1947, a Ferrari construiu o 12 cilindros, 1.5 L Tipo 125, o primeiro carro de corrida a receber o nome da Ferrari. Uma versão de F1 do Tipo 125, o Ferrari 125 F1 foi desenvolvido em 1948 e inscrito em vários Grandes Prémios.
Em 1950 foi criado o Campeonato do Mundo de F1. A Ferrari esteve ausente na primeira corrida em Inglaterra, devido a uma disputa sobre o 'dinheiro inicial' pago aos participantes, mas participou na prova seguinte, no Grande Prémio do Mónaco, onde se estreou na F1 com os pilotos, Luigi Villoresi, Alberto Ascari e Raymond Sommer. Ascari terminou a corrida no 2º lugar, no que foi o primeiro pódio da Ferrari na F1.
Em 1951, na 5ª prova da temporada em Inglaterra, a Ferrari conquistou a sua primeira pole-position e também a primeira vitória na F1 através do piloto argentino Froilán González.
Em 1952, Alberto Ascari tornou-se o primeiro campeão mundial de F1 da Ferrari. Ascari repetiu o título em 1953, tornando-se uma das primeiras grandes estrelas da Scuderia.
Em 1956, outro nome lendário juntou-se à história da Ferrari: Juan Manuel Fangio, conquistou o campeonato mundial ao volante de um Ferrari D50. Dois anos depois, em 1958, foi o britânico Mike Hawthorn a tornar-se campeão mundial pela Ferrari.
A década de 1950 estabeleceu as bases daquilo que viria a ser a Ferrari na Fórmula 1: carros vermelhos, pilotos de enorme talento e uma ambição permanente de vencer.
A década de 1960 começou de forma brilhante. Em 1961, Phil Hill conquistou o campeonato mundial de pilotos e a Ferrari venceu também o campeonato de construtores, completando uma temporada de enorme sucesso.
Em 1964, foi John Surtees quem conquistou o título mundial pela Ferrari. Surtees continua a ser uma figura única no automobilismo, pois é o único piloto a ter conquistado títulos mundiais tanto em motociclismo como em Fórmula 1.
Apesar de alguns períodos menos consistentes, a Ferrari continuou a ser uma presença constante na luta pelas vitórias e pelos campeonatos.
Os anos 70 trouxeram novamente a Ferrari para o centro da luta pelo título.
Em 1975, Niki Lauda conquistou o seu primeiro campeonato mundial pela Scuderia. O austríaco tornou-se uma das figuras mais importantes da história da equipa e da própria Fórmula 1.
Em 1976, Lauda sofreu um dos acidentes mais graves da história da modalidade no circuito de Nurburgring. Apesar das enormes consequências físicas, regressou à competição apenas algumas semanas depois, precisamente em Monza. A sua recuperação tornou-se uma das histórias mais marcantes da Fórmula 1.
Lauda voltou a conquistar o título em 1977.
Em 1979, foi a vez de Jody Scheckter conquistar o campeonato mundial pela Ferrari. Esse título seria particularmente importante porque iniciaria uma longa espera: depois de Scheckter, a Ferrari só voltaria a ter um campeão mundial de pilotos 21 anos mais tarde.
A década de 1980 foi marcada por grandes momentos, mas também por alguma instabilidade.
A Ferrari conseguiu conquistar o campeonato de construtores em 1982 e 1983, mas não conseguiu transformar esse domínio coletivo num título mundial de pilotos. Em 1982, Gilles Villeneuve morreu durante a qualificação para o Grande Prémio da Bélgica, num dos acontecimentos mais trágicos da história da Scuderia.
Villeneuve tornou-se, mesmo sem conquistar um campeonato mundial, numa das figuras mais queridas da história da Ferrari. A sua agressividade e o seu estilo de condução fizeram dele um verdadeiro símbolo da paixão associada à equipa italiana.
No final da década, a Ferrari continuava competitiva, mas encontrava adversários cada vez mais fortes, enquanto a Fórmula 1 entrava numa nova era tecnológica.
No início dos anos 90, a Ferrari atravessou um período difícil. A equipa continuava a ter enormes recursos e uma das maiores tradições da Fórmula 1, mas os títulos escapavam.
Tudo começou a mudar em 1996.
Depois de conquistar dois campeonatos mundiais com a Benetton, Michael Schumacher assinou pela Ferrari. A chegada do alemão representou o início de uma das maiores reconstruções da história da Fórmula 1.
Schumacher não conquistou imediatamente o título. Pelo contrário, os primeiros anos foram marcados por derrotas e desilusões. Em 1997, esteve envolvido numa disputa pelo campeonato com Jacques Villeneuve que terminou de forma polémica no Grande Prémio da Europa.
Em 1999, a Ferrari conquistou o campeonato de construtores, o primeiro desde 1983. Schumacher, porém, sofreu um grave acidente em Silverstone e ficou de fora de várias corridas. Eddie Irvine acabou por lutar pelo campeonato de pilotos, mas perdeu-o para Mika Häkkinen.
A verdadeira revolução estava, contudo, prestes a começar.
Os primeiros anos do novo milénio transformaram definitivamente a história da Ferrari.
Em 2000, Michael Schumacher conquistou finalmente o campeonato mundial de pilotos pela Ferrari. Era o primeiro título de pilotos da Scuderia desde 1979.
A partir daí, começou uma das eras de domínio mais impressionantes da Fórmula 1.
Schumacher venceu cinco campeonatos consecutivos entre 2000 e 2004. A Ferrari conquistou também uma sucessão de títulos de construtores, com uma equipa que incluía nomes como Jean Todt, Ross Brawn, Rory Byrne e Rubens Barrichello.
Durante esses anos, a Ferrari parecia quase imparável.
Michael Schumacher tornou-se o rosto da equipa e estabeleceu vários recordes. Cinco campeonatos consecutivos, de 2000 a 2004, continuam a representar uma das maiores demonstrações de domínio individual da história da Fórmula 1.
O período Schumacher transformou a Ferrari numa verdadeira potência global e criou uma ligação emocional extraordinária entre o piloto alemão, a equipa e os seus milhões de adeptos.
A partir de 2005, o domínio da Ferrari começou a ser quebrado.
Fernando Alonso e a Renault assumiram o protagonismo, conquistando os campeonatos de 2005 e 2006. Em 2006, Michael Schumacher terminou a sua primeira passagem pela Ferrari e anunciou a retirada da Fórmula 1 como piloto titular.
Kimi Raikkonen tornou-se então uma das principais figuras da Scuderia.
Em 2007, o finlandês conquistou o campeonato mundial pela Ferrari. Foi o 15.º e, até hoje, último título mundial de pilotos conquistado pela Scuderia.
Em 2008, a Ferrari conquistou novamente o campeonato de construtores, mas Felipe Massa perdeu o título de pilotos para Lewis Hamilton por apenas um ponto, depois de uma das decisões de campeonato mais dramáticas da história da Fórmula 1.
A década seguinte começou com Fernando Alonso ao volante da Ferrari.
O espanhol chegou muito perto de conquistar o campeonato mundial em 2010 e novamente em 2012. Em ambas as ocasiões, terminou a temporada como vice-campeão.
A Ferrari continuava a lutar pelas vitórias, mas o título mundial permanecia fora do alcance.
Em 2015, Sebastian Vettel chegou à Scuderia depois de conquistar quatro campeonatos mundiais consecutivos com a Red Bull.
Vettel tornou-se rapidamente uma das principais esperanças da Ferrari. Entre 2017 e 2018, esteve novamente na luta pelo campeonato, mas acabou por não conseguir superar a concorrência da Mercedes e de Lewis Hamilton.
Durante este período, a Mercedes dominou a Fórmula 1, enquanto a Ferrari tentava reconstruir-se e encontrar a combinação perfeita entre carro, motor, estratégia e pilotos.
Em 2019, Charles Leclerc chegou à Ferrari vindo da Sauber.
O jovem piloto monegasco rapidamente demonstrou uma velocidade extraordinária e tornou-se uma das figuras centrais da nova geração da Fórmula 1.
Leclerc conquistou vitórias e pole positions e tornou-se um dos principais símbolos da Ferrari moderna. No entanto, apesar dos momentos de brilhantismo, o campeonato mundial continuou a escapar à equipa.
Em 2022, a Ferrari voltou a apresentar um carro capaz de lutar pelo campeonato. Leclerc venceu corridas e liderou o campeonato no início da temporada, mas problemas de fiabilidade, erros estratégicos e o forte desempenho da Red Bull acabaram por impedir a Scuderia de lutar pelo título até ao final.
Nos anos seguintes, a Ferrari continuou a procurar consistência.
Em 2024, a equipa voltou a estar muito próxima do título de construtores, terminando a temporada apenas 14 pontos atrás da McLaren.
Foi também um período de grande expectativa para os adeptos, especialmente devido à evolução de Charles Leclerc e à chegada de Lewis Hamilton para a temporada seguinte.
A chegada de Lewis Hamilton à Ferrari em 2025 foi um dos acontecimentos mais importantes da história recente da Scuderia.
Hamilton, sete vezes campeão mundial, juntou-se a Charles Leclerc para formar uma das duplas mais mediáticas da grelha.
No entanto, 2025 revelou-se uma temporada difícil para a Ferrari. A equipa terminou o campeonato de construtores na quarta posição e não conseguiu vencer nenhum Grande Prémio. Hamilton também terminou a sua primeira temporada na Ferrari sem subir ao pódio num Grande Prémio, algo inédito na sua carreira até então.
Apesar disso, a contratação de Hamilton demonstrava claramente a ambição da Ferrari: voltar a conquistar os títulos que lhe escapam há vários anos.
A Ferrari é a equipa de F1 mais antiga e mais bem-sucedida. Participou em todos os Campeonatos Mundiais de F1 desde a temporada de 1950.
Nos 77 anos que já leva de envolvimento na F1, a Ferrari disputou 1136 Grandes Prémios, conquistou 250 vitórias, 254 pole-positions, 268 voltas mais rápidas e 845 pódios. Venceu 16 campeonatos de construtores e 15 de pilotos.
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