12 de agosto de 2020

BOAVISTA


O Circuito da Boavista é um circuito citadino para corridas de automobilismo situado na cidade do Porto, Portugal.
Foi na década de vinte do século passado, que se começaram a realizar as primeiras corridas de automóveis na cidade do Porto. A primeira corrida aconteceu em 1931, usando a Avenida da Boavista para o efeito, onde duas longas rectas nas faixas laterais da avenida eram unidas por duas curvas com um raio de dez metros. O vencedor da corrida foi Fernando Palhinhas ao volante de um Singer Nine.
Em 1950 o circuito foi fortemente alterado. No novo desenho da pista foram usadas novas ruas e estradas, como a Estrada da Circunvalação, Avenida Antunes Guimarães e a Estrada do Lidador. No dia 18 de Junho foi disputada a primeira corrida de automobilismo, organizada pelo Automóvel Clube de Portugal, tendo marcado presença alguns dos melhores pilotos internacionais. Os mais de cem mil espectadores viram Felice Bonetto a vencer a prova ao volante de um Alfa Romeo 412.
No dia 24 de Agosto de 1958 o Circuito da Boavista recebeu pela primeira vez uma corrida de F1 a contar para o Campeonato do Mundo. Era a primeira vez que iam correr em Portugal grandes nomes do automobilismo como: Stirling Moss, Mike Hawthorn, Graham Hill, Jack Brabham, Phil Hill, entre outros e também Maria Teresa de Filippis, a primeira mulher a pilotar um carro de F1.
Mike Hawthorn e Stirling Moss lutavam de forma acesa pelo título de campeão, com o Porto a assistir a uma emocionante corrida, com Moss a levar a melhor sobre Hawthorn e a ganhar a corrida com uma larga vantagem. O último lugar do pódio foi ocupado por Stuart Lewis-Evans.
A esta corrida de 1958, segundo relatos da época, terão assistido mais de 100 mil pessoas, e dela constando história curiosa em que Hawthorn falhou a travagem na saída de Antunes Guimarães para o Lidador e não conseguiu pôr o seu Ferrari a trabalhar. Tentou empurrá-lo no sentido do Circuito, mas era a subir, por isso, virou o carro ao contrário e, aproveitando a ligeira inclinação, conseguiu finalmente pôr o motor do Ferrari a funcionar. No final, os Comissários Desportivos investigaram a possibilidade de ter havido uma violação do regulamento, porque empurrar o carro contra o sentido do circuito era proibido, resultando na desclassificação do britânico. Stirling Moss testemunhou dizendo que Hawthorn empurrara o Ferrari fora da pista e, graças a esse testemunho, Hawthorn acabou por vencer o Campeonato do Mundo, com um ponto de vantagem sobre Moss.
Este gesto de Moss no Porto ficou na memória de todos como um dos grandiosos gestos da história do automobilismo mundial.
A F1 regressou ao Circuito da Boavista em 1960. Mais uma vez a prova teve uma grande afluência de publico, com os espectadores a terem o privilégio de assistir à quinta vitória consecutiva de Jack Brabham nesse ano, a qual se traduziu na conquista antecipada do seu segundo título mundial. John Surtees que tinha efectuado a pole-position, era um dos grandes favoritos à vitória, mas viu-se obrigado a abandonar a corrida na sequência de um problema no radiador do seu Lotus-Climax. Depois do acidente na Bélgica, Stirling Moss participou no Grande Prémio de Portugal, tendo sido desclassificado por ter circulado em sentido contrário (no mesmo local em que Hawthorn se despistou e muito provavelmente por fazer o mesmo tipo de acção). Mas Moss, primeiro pelo seu intocável comportamento e depois por ainda não se encontrar no melhor da sua forma física, aceitou sem sequer argumentar.
O primeiro piloto português, Mário Araújo “Nicha” Cabral, teve neste ano a segunda oportunidade de pilotar o seu Formula 1 em Portugal, mas acabaria por desistir devido a uma avaria técnica.
Para além de Jack Brabham, Bruce McLaren e Jim Clark foram os outros pilotos que subiram ao pódio, sendo o primeiro pódio de Clark que viria a tornar-se um dos melhores pilotos de F1.
Apesar de ter recebido o Grande Prémio de Portugal de F1 apenas por duas vezes, o Circuito da Boavista tem um lugar na história do automobilismo nacional e mundial.

9 de agosto de 2020

TYRRELL


A Tyrrell Racing Organisation foi uma equipa de F1 inglesa, criada por Ken Tyrrell. Participou no Campeonato do Mundo de F1 entre os anos de 1970 e 1998.
Em 1970, a equipa usou o chassis March nas dez primeiras provas do campeonato, nas restantes três corridas já apareceu o novo Tyrrell 001 que obteve a pole-position no Grande Prémio do Canadá, através do piloto escocês Jackie Stewart, que já tinha vencido o Grande Prémio de Espanha, a segunda prova do Campeonato Mundial de 1970.
O ano de 1971 foi de sonho para a Tyrrell. Jackie Stewart e o jovem francês François Cevert eram os pilotos e ambos contribuíram com sete vitórias no campeonato que contava na época com 11 corridas pontuáveis para o mundial. Jackie Stewart sagrou-se Campeão de Pilotos e a Tyrrell venceu o Mundial de Construtores.
Em 1972 a dupla de pilotos manteve-se, mas a Tyrrell vence apenas por quatro vezes, todas através de Jackie Stewart que termina o campeonato em segundo lugar, a mesma posição que a Tyrrell alcançou no campeonato de construtores.
Stewart e Cevert continuaram em 1973, mas o ano ficou marcado por mais um título de Campeão do Mundo conquistado por Jackie Stewart e também pelo acidente mortal de François Cevert nos treinos para a última prova do campeonato. Com o título no bolso, o piloto escocês já tinha decidido abandonar a F1 no final da temporada, mas o acidente do seu companheiro de equipa antecipou essa decisão.
A partir de 1974 a Tyrrell entrou num espiral descendente e nunca mais conseguiu vencer campeonatos, mesmo as vitórias em corridas passaram a ser pontuais, com a última a pertencer a Michele Alboreto no Grande Prémio de Detroit em 1983.
Pelo meio a Tyrrell mostrou o modelo P34 de seis rodas que foi usado no campeonato de 1976 e que ganhou o Grande Prémio da Suécia com Jody Scheckter ao volante.
Em 1993 a Tyrrell conquistou o ultimo pódio da história da equipa com o terceiro lugar no Grande Prémio de Espanha por intermédio de Mark Blundell.
No início do ano de 1998 a Tyrrell foi vendida à Bristish American Racing. Ainda participou no campeonato desse ano não tendo conseguido alcançar nenhum ponto. O Grande Prémio do Japão foi a ultima prova disputada, onde nenhum dos dois pilotos terminou a corrida.
Nos 29 anos em que a Tyrrell esteve na F1, disputou 430 Grandes Prémios. Conquistou 23 vitórias, 14 pole-positions, 20 voltas mais rápidas e 77 pódios. Venceu 1 título de Campeão do Mundo de Construtores em 1971 e 2 títulos de Campeão Mundial de Pilotos, com Jackie Stewart em 1971 e 1973.