28 de outubro de 2020

LUIGI FAGIOLI


Luigi Cristiano Fagioli nasceu no dia 9 de Junho de 1898 em Ocimo, Itália.
Enquanto criança, ficou fascinado pelos automóveis e pelas corridas que começaram a ser realizadas por Itália.
Mais tarde, Fagioli começou a disputar provas de montanha e de carros desportivos, antes de passar para os carros de Grande Prémio em 1926.
Foi durante a década de trinta que Fagioli teve maior sucesso nas corridas de automobilismo. Passou pela Maserati, Alfa Romeo, Mercedes e Auto Union, vencendo várias provas de grande prestígio.
Luigi Fagioli era também muito temperamental, a prova disso ficou bem vincada quando na primeira corrida que disputou pela Mercedes, lhe foi ordenado, pelo chefe de equipa Alfred Neubauer, que cedesse a liderança ao seu companheiro de equipa. Fagioli simplesmente parou o carro e desistiu da corrida. O seu relacionamento com os companheiros de equipa também não era o melhor e por várias vezes ignorou as ordens da equipa e tentou levar a melhor sobre Rudolf Caracciola. Em 1936 e já na Auto Union, Fagioli chegou a agredir fisicamente Caracciola no Grande Prémio de Trípoli.
Em 1950 e já com 52 anos de idade, Luigi Fagioli ingressou na equipa Alfa Romeu para disputar o primeiro Campeonato do Mundo de F1, que teve início no dia 13 de Maio de 1950 com a realização do Grande Prémio de Inglaterra em Silverstone. Fagioli obteve o 2º lugar na corrida, atrás do seu companheiro de equipa, Nino Farina. Na prova seguinte, no Mónaco, viu-se forçado a abandonar a corrida logo na primeira volta devido a um acidente. Nos três Grandes Prémios seguintes, Suíça, Bélgica e França, Fagioli foi 2º, terminando a temporada com o 3º lugar no Grande Prémio de Itália em Monza. No final do campeonato, os 24 pontos conquistados, deram-lhe o 3º lugar, sendo o piloto com mais pódios na temporada.
Em 1951, Fagioli apenas disputou o Grande Prémio de França. O seu companheiro de equipa, Juan Manuel Fangio, disputava o título com Nino Farina em Ferrari. Durante a corrida Fangio teve problemas com o seu carro, mas usando um método que na época era permitido pelo regulamento, a Alfa Romeo chamou à box Fagioli, que era o líder da prova, para entregar o seu carro a Fangio, que assim venceu a corrida, com os pontos da vitória a serem repartidos entre os dois pilotos.
Apesar de ter vencido a sua primeira corrida de F1 e de se tornar no piloto mais velho (53 anos e 22 dias), a vencer um Grande Prémio, o mais velho a obter um pódio e o mais velho a pontuar, o que é um recorde ainda nos dias de hoje, Luigi Fagioli ficou irritado e decidiu deixar de vez a F1.
No ano seguinte, Fagioli ingressou na Lancia para disputar provas de Endurance, terminando em 3º lugar na corrida Mille Miglia à frente do seu grande rival, Rudolf Caracciola.
Durante uma prova, em Monte Carlo, Luigi Fagioli teve um acidente no túnel do traçado do Principado, tendo fracturado uma perna, um braço e ainda teve ferimentos internos. Apesar de não correr risco de vida, três semanas depois o seu estado agravou-se e Luigi Fagioli morreu, no dia 20 de Junho de 1952.
Luigi Fagioli esteve dois anos na F1. Disputou 7 Grandes Prémios. Conquistou 1 vitória e 6 pódios.

25 de outubro de 2020

RON DENNIS


Ronald Dennis, mais conhecido como Ron Dennis, nasceu no dia 1 de Junho de 1947 em Woking, Inglaterra.
Depois de ter terminado o curso de Engenharia Mecânica Automóvel, começou a trabalhar em 1966, aos 18 anos, na equipa de F1 Cooper, onde corria o piloto austríaco Jochen Rindt. Em 1968, Rindt mudou para a Brabham e levou o jovem Dennis consigo. No final do ano de 1971, Ron Dennis e o seu colega Neil Trundle, decidem montar uma equipa de F2.
A Rondell Racing foi fundada em Woking ainda em 1971 e nos anos seguintes a equipa teve algum êxito nas provas de F2.
Em 1975 Ron Dennis avançou sozinho num novo projecto para a F2 com o apoio da Marlboro, a Project Three.
Em 1978 Dennis criou a equipa, Project Four Racing, que obteve sucesso e venceu campeonatos na F2, F3 e na série monomarca BMW Procar em 1979 e 1980. Sempre apoiado pela Marlboro, Ron Dennis voltou a sonhar com a entrada na F1 e para isso chamou o projectista John Barnard para liderar o design e o desenvolvimento de um novo carro. Ron Dennis tentou junto da Marlboro obter o apoio financeiro necessário, convencendo-os que o inédito carro em fibra de carbono seria um vencedor. Mas o problema maior era a McLaren, equipa que a Marlboro patrocinava já á largos anos. A solução foi encontrada pela própria Philip Morris, de fundir as duas equipas e com um orçamento ampliado, tentar levar de novo a McLaren à conquista dos títulos.
Em Setembro de 1980 nasceu a McLaren International, fusão da McLaren com a Project Four e Ron Dennis assumiu o controlo total da equipa.
O novo carro produzido por John Barnard, o MP4/1, foi o primeiro monolugar de F1 com o chassis em fibra de carbono. No Grande Prémio de Inglaterra de 1981, John Watson venceu a corrida com o novo monolugar. No final do ano de 1981, Ron Dennis convenceu Niki Lauda a ingressar na sua equipa. O piloto austríaco juntou-se a Watson e ambos venceram duas provas no ano seguinte.
Em 1983, Dennis convenceu o então patrocinador da Williams, Mansour Ojjeh, a tornar-se sócio da McLaren International. Ojjeh investiu em motores turbo construídos pela Porsche que levavam o nome da sua empresa, Techniques d'Avant Garde (TAG). Perto do final do ano, Dennis contratou o francês Alain Prost para companheiro de equipa de Niki Lauda.
No ano de 1984, a combinação McLaren-TAG dominou por completo o campeonato, com um recorde de 12 vitórias em 16 corridas. Niki Lauda sagrou-se Campeão Mundial de Pilotos e a McLaren conquistou o Mundial de Construtores.
Em 1985 o domínio já não foi tão acentuado mas Ron Dennis viu a sua equipa ganhar novamente os dois campeonatos, mas desta vez com Alain Prost no primeiro lugar. No ano seguinte apenas Prost revalidou o título de campeão.
Em 1988, ainda com Alain Prost e com a contratação de Ayrton Senna, a McLaren esmagou toda a concorrência, ao vencer 15 das 16 provas do campeonato. Prost ganhou por sete vezes, enquanto Senna obteve oito triunfos e sagrou-se Campeão Mundial de Pilotos. Em 1989 Ron Dennis teve que lidar com o corte de relações dos seus dois pilotos e com o mau ambiente que resultou dessa situação. Mesmo assim o título de construtores foi parar à equipa de Woking, e o de pilotos às mãos do francês Alain Prost.
O início da década de noventa foi bem mais sereno na equipa de Ron Dennis. Gerhard Berger entrou para o lugar de Alain Prost e o ambiente entre os dois pilotos, Senna e Berger, foi bastante mais saudável. Em 1990 e 1991, a McLaren conquistou o Mundial de Construtores e Senna o Mundial de Pilotos.
Nos seis anos seguintes, Ron Dennis viu a sua equipa longe da luta pelos títulos, mas em 1998 a McLaren voltou aos primeiros lugares. Ron Dennis voltou a sorrir com a conquista do título de Construtores, o último da equipa até hoje, e Hakkinen sagrou-se Campeão Mundial de Pilotos, repetindo o feito no ano seguinte.
O novo milénio foi um pesadelo para Ron Dennis que teve de esperar até 2008 para voltar a festejar de novo um título com Lewis Hamilton que se sagrou pela primeira vez Campeão Mundial de Pilotos.
Em 2009, no dia 16 de Janeiro, Ron Dennis anunciou que deixava o cargo de Director da equipa de F1 no dia 1 de Março desse mesmo ano.
No dia 15 de Novembro de 2016, Ron Dennis deixou o cargo de Presidente da McLaren, no entanto ainda detinha uma participação de 25% na McLaren Group.
A 30 de Junho de 2017 e depois de 37 anos, Ron Dennis deixou em definitivo a McLaren.

21 de outubro de 2020

MONSANTO


O Circuito de Monsanto foi uma pista de automobilismo citadina, situada em Lisboa, Portugal.
Com o automobilismo português a ganhar muita popularidade no norte do país, devido aos circuitos de Vila Real, Vila do Conde e Boavista, os responsáveis do Automóvel Clube de Portugal decidiram criar um novo circuito em Lisboa. O local escolhido foi o Parque Florestal de Monsanto, rodeado de vegetação, curvas rápidas e pronunciados declives naturais. Em pleno coração de Monsanto foi desenhado um circuito com 5.425 quilómetros de extensão. Começava na Estrada de Queluz, passava pela auto-estrada do Estádio Nacional, estrada do Alvito, Montes Claros, Penedo e terminava na estrada dos Marcos.
O circuito teve a primeira corrida no dia 25 de Julho de 1953. Milhares de pessoas encheram as bancadas e morros circundantes para ver os carros a passar a altas velocidades.
No dia 23 de Agosto de 1959 o Circuito de Monsanto acolheu o Grande Prémio de Portugal de F1.
Sendo a sétima prova da temporada, num total de nove, a corrida portuguesa assumia um papel importante na atribuição do título de pilotos. Jack Brabham chegava a Portugal como líder destacado do campeonato, seguido por Tony Brooks, Phil Hill e Jo Bonnier.
Stirling Moss em Cooper-Climax obteve a pole-position à frente de Jack Brabham também ao volante de um Cooper-Climax. O piloto português Mário de Araújo “Nicha” Cabral, estreava-se na F1 com um Cooper-Maserati e ocupava o 14º e antepenúltimo lugar na grelha de partida.
A corrida foi dominada por Stirling Moss que liderou do princípio ao fim, mas nos lugares seguintes a animação foi constante. Na 4ª volta, Phil Hill teve uma saída de pista mas ainda conseguiu chegar às boxes, quando regressou à corrida ficou atrás de Graham Hill, mas logo de seguida o piloto britânico despistou-se e Phil Hill não conseguiu evitar o Lotus e acabou por bater ficando os dois de fora da prova. Na décima volta, Jo Bonnier foi obrigado a desistir com problemas de motor no seu BRM. Jack Brabham ocupava o segundo lugar e quando se preparava para ganhar uma volta a Nicha Cabral, os dois pilotos desentenderam-se, Brabham saiu de pista, embateu num poste telefónico e foi projectado do carro caindo no meio da pista, quando se levantava viu o Cooper-Climax de Masten Gregory a aproximar-se, com o piloto norte-americano a evitar Brabham por pouco. Na 38ª volta, foi a vez de Bruce McLaren deixar a prova, devido a problemas de transmissão no seu Cooper-Climax, quando ocupava o 3º posto.
Stirling Moss foi o único piloto a percorrer as 61 voltas da corrida em 2 horas, 11 minutos, 55 segundos e 41 centésimos. A uma volta ficou Masten Gregory e Dan Gurney no melhor dos Ferrari. Maurice Trintignant terminou a corrida no 4º lugar à frente de Harry Schell em BRM, sendo esses os pilotos que pontuaram na prova portuguesa, Moss ainda somou um ponto extra por ter feito a volta mais rápida. Nicha Cabral terminou a corrida no 10º e ultimo lugar, a seis voltas do vencedor.
Essa foi a única corrida a contar para o Campeonato Mundial de F1 que se disputou no Circuito de Monsanto.

18 de outubro de 2020

LANCIA


A Scuderia Lancia foi uma equipa de automobilismo que participou no Campeonato do Mundo de F1 na década de cinquenta.
Fundada em Turim no dia 29 de Novembro de 1906, por dois pilotos de corrida da FIAT, Vincenzo Lancia e Claudio Fogolin, a Lancia decidiu participar em provas de automobilismo quando Gianni Lancia, filho de Vincenzo Lancia, se tornou Director da empresa.
Em 1954, Vittorio Jano, projectou o Lancia D50 que os pilotos Alberto Ascari e Luigi Villoresi conduziram, pela primeira vez, no Grande Prémio de Espanha de 1954. A corrida espanhola, disputada no Circuito de Pedralbes em Barcelona, foi a ultima do campeonato. Ascari conquistou a pole-position, a primeira da Lancia na F1, e na corrida obteve a volta mais rápida, antes de desistir na 10ª volta com problemas de embraiagem, depois de Villoresi ter abandonado na segunda volta com problemas de travões.
No ano de 1955, a Lancia ganhou duas corridas que não fizeram parte do Campeonato Mundial de F1, que foram o Grande Prémio de Valentino, disputado num circuito desenhado nas ruas do parque publico Valentino em Turim e o Grande Prémio de Nápoles, ambas as provas com Alberto Ascari ao volante. O Campeonato do Mundo começou na Argentina, onde a Lancia tinha três carros para Alberto Ascari, Luigi Villoresi e Eugenio Castellotti, mas nenhum deles conseguiu terminar a corrida. Na prova seguinte, o Grande Prémio do Mónaco, a Lancia alinhou com um quarto carro que foi entregue ao piloto monegasco, Louis Chiron, que terminou a corrida no 6º lugar, logo atrás de Villoresi. A prova ficou marcada pelo primeiro e único pódio da Lancia na F1, com o 2º lugar de Castellotti, mas também pelo acidente de Ascari, na chicane do porto, com o carro do piloto italiano a sair de pista e a cair ao mar. Alberto Ascari salvou-se mas morreu quatro dias depois em Monza, quando testava um Ferrari. A corrida que se seguiu foi o Grande Prémio da Bélgica, onde a Lancia apenas teve um carro, entregue a Castellotti. O piloto italiano obteve a pole-position mas na corrida foi obrigado a desistir com problemas na caixa de velocidades.
Com a morte de Alberto Ascari e com problemas financeiros, a Lancia decidiu retirar-se da F1. Os carros e o que restou da equipa foi adquirido pela Ferrari e Juan Manuel Fangio venceu o campeonato de 1956 ao volante do Lancia-Ferrari D50.
Nas duas temporadas que a Lancia correu na F1, disputou 4 Grandes Prémios. Conquistou 2 pole-positions, 1 volta mais rápida e 1 pódio.